Foi antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de deixar este mundo para ir para o Pai. E ele, que amou sempre os seus que estavam no mundo, quis dar-lhes provas desse amor até ao fim. Levantou-se então da mesa, tirou a capa e pegou numa toalha que pôs à cintura. Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha. Depois de lhes lavar os pés, Jesus pôs a capa pelas costas, sentou-se de novo à mesa e perguntou-lhes: «Compreendem o que eu acabo de vos fazer? Dei-vos o exemplo para que, assim como eu fiz, o façam também uns aos outros. Já sabem o que é preciso fazer. Felizes serão se o puserem em prática.
João, 13:1, 4-5, 12, 15, 17
Quando estavam sentados à mesa e a comer, ele afirmou: «Digo-vos com toda a verdade que um de vocês, dos que estão aqui a cear comigo, vai atraiçoar-me.» Todos ficaram muito tristes e começaram a perguntar-lhe, um de cada vez: «Não sou eu, pois não?» E Jesus respondeu: «É um dos Doze que molha o pão no prato juntamente comigo. Durante a ceia, Jesus pegou no pão, louvou a Deus, partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomem. Isto é o meu corpo.» Depois pegou no cálice, deu graças a Deus, passou-o aos discípulos e todos beberam dele. E disse-lhes: «Isto é o meu sangue, o sangue da aliança de Deus derramado em favor de muitos. Garanto-vos que não tornarei a beber do fruto da vinha até ao dia em que beber o vinho novo no reino de Deus.»
Marcos, 14:18-20, 22-25
Quinta-feira separada, normalmente designada de santa, tal é beleza desconcertante que contém na antecâmara, na véspera, da cruz.
Quinta-feira separada onde é possível encontrar vislumbres, ainda deste lado da eternidade, da glória que nos espera. Nela Jesus impele-nos à prática humilde do amor que não desiste e, para tal, convida-nos a colocarmos o avental para lavarmos os pés uns dos outros, para nos servirmos uns aos outros.
E mais, chama-nos amorosamente para a mesa mais importante da História: a Sua! A refeição é simples, suficiente, plena: pão e vinho.
Quanto baste para um exercício introspectivo sobre o que fez por nós para que nos tornássemos como Ele!
Ah, abençoada quinta-feira separada!
– jónatas figueiredo