Fornalha
Que Deus
Em cuja fornalha se forja a fé,
Em cujo ser respira a beleza,
De cujo amanhecer as trevas fogem,
Brilhe sobre vós.
Que o Pai, cujo amor por ti,
Bate a um ritmo que o próprio tempo não consegue parar,
Cuja presença no teu exílio
É a promessa de um lar,
Cujas certezas são mais profundas
Que as adegas nas caves da tua cidade,
Cujo sopro é vida,
Respire sobre ti.
Que o Filho cuja história
É um espelho da tua,
Que fez uma jornada nas trevas
Para encontrar uma chave para a tua prisão,
Que mergulhou nos oceanos mais profundos
Para encontrar pérolas para a tua sabedoria,
Que olhou para dentro do teu coração
E encontrou uma beleza que vale a batalha,
Que escreveu o teu nome
Numa pedra branca gravada em segredo,
Te segure.
Que o Espírito,
Que esperou milénios para te encher,
Que moldou a palavra que moveu o vento
Da manhã que te concebeu,
Que segura a terra na qual estás
Como uma parteira segura um recém-nascido,
Que te conhece completamente
E te possui totalmente.
Assim possa
Deus, o Pai fiel,
Deus, o Filho marcado com cicatrizes,
Deus, o Espírito escultor,
Fazer a jornada contigo.
Gerard Kelly, 2020 “I See a New City: poems of place and possibility”, Chamine Press
Tradução para português por João Duarte (Meeting Point)